De cara lavada…

Sempre amei escrever. Era daquelas crianças que amava ter redação em qualquer coisa da escola. Sempre fui daquelas adolescentes que amava escrever cartas quilométricas ou escrever em agendas e diários. Quando comecei a procurar emprego, adorava quando me pediam para escrever uma redação. E sempre guardava o que eu tinha escrito (na medida do possível), e quando chegava em casa, eu escrevia tudo de novo num papel para poder ter guardado e para mostrar para minha mãe. Ou seja, sempre fui a louca da escrita! Não sei porque eu nunca me dei conta que eu deveria usar isso para ser minha profissão de alguma forma. Escrever sempre me fez bem, sempre me fez sentir viva. Sempre tive a impressão de que o papel me entendia melhor do que ninguém.

Mas a verdade é que segui um caminho totalmente oposto à escrita e a única coisa que escrevo atualmente no meu trabalho são relatórios – que estão longe (muito longe!) de ser a escrita que eu sempre gostei, que eu sempre sonhei! E foi por isso que há 8 anos eu resolvi criar um blog. Ainda não tinha muita ideia de como seria ou no que daria, mas tinha certeza de que ali seria um cantinho especial, pois eu conseguiria ser a Aline que morava dentro de mim e que sempre quis “ter voz”.

E ali realmente fui muito feliz. Conheci pessoas sensacionais que levo até hoje na minha vida. Tive contato com muitas outras que nunca vi pessoalmente, mas que fizeram parte da minha vida por um tempo, que me mandavam palavras que mudavam meus dias. E o melhor de tudo, ali eu fui capaz de, com as minhas palavras, mudar o dia, a cabeça e a vida delas também. E saber disso, me fazia a pessoa mais realizada!

Só que a vida às vezes toma um rumo diferente, segue um caminho que a gente não tinha planejado e nos dá umas rasteiras que muitas vezes fica difícil de levantar. E numa dessas eu larguei o blog. Eu simplesmente não conseguia mais escrever. Eu não tinha ânimo nem para começar. Por diversas vezes me peguei sentada na frente do computador sem conseguir ao menos colocar no papel as milhares de coisas que se passavam na minha cabeça. E esse foi o fim daquele lugar tão amado por mim (e por muitas pessoas que me mandavam mensagem pedindo para eu voltar).

E o tempo passou. E como tudo na vida, as coisas foram se ajustando. E a minha vontade de escrever se mantinha lá firme e forte. A vontade nunca morreu… o que havia morrido era a minha inspiração – se é possível dizer que inspiração morre alguma vez. E foi então que em 2016 eu criei o Dedilhando. Criei com a ideia de ser um lugar novo, um lugar sem rastro, um lugar sem passado, somente com a mesma escritora, de coração aberto e transbordando de vontade de escrever. Entretanto, criei, mas novamente não conseguia escrever.

eco

Um ano se passou e o blog ficou parado. Vários ensaios para “inaugurá-lo”, querendo fazer dele um lugar diferente! E nada dava certo. Nenhuma tentativa era boa, todas em vão. E aí veio 2017 – um ano que foi muito importante pra eu me dar conta de que as coisas só acontecem mesmo na nossa vida quando a gente realmente decide que elas precisam acontecer. E no final de 2017 eu decidi que eu precisava disso, eu precisava escrever, eu precisava voltar a ter a mesma satisfação de antes em colocar no papel o que eu estava sentindo. E aí comecei a dar uma cara, comecei a pensar no formato… e no início de 2018 eu resolvi tirá-lo da minha cabeça e trazê-lo à vida.

A ideia era ser um blog com textos não muito longos, sem parecer um diário onde houvesse desabafos, alegrias ou qualquer outra coisa que parecesse informal. A ideia era colocar minhas inspirações num tom mais “sério” do que um simples “blog da Internet”, contando “causos”. E nessa eu publiquei os dois primeiros posts e nasceram outros tantos que estão no rascunho.

Só que ainda estava olhando pra ele e não conseguia senti-lo meu! Até que hoje, sentada na frente do computador e lendo alguns textos do blog antigo, eu me dei conta de que não adianta tentar mudar para ser o que eu não sou! Eu sou assim de escrever o que me vem na cabeça, de fazer meus desabafos, de escrever meus textos misturados onde ninguém tem certeza se eu estou falando de mim ou se eu estou falando de um tema ou pessoa genérica. E foi aí que eu me dei conta de que é disso que eu gosto: de sentar aqui e fazer o que eu estou fazendo agora. Esse post já está enorme, mas provavelmente ele tem muito da minha alma, sem tirar nem por! E era disso que eu sentia falta. Era disso que eu estava precisando. É isso que eu amo fazer e eu não posso fugir mais.

É assim que nasce o Dedilhando – de novo! É assim que eu apresento ao mundo o lugar onde eu me sinto em casa; o lugar onde eu sou eu; o lugar onde vocês nunca vão saber se realmente sou eu; o lugar onde a minha alma se expõe de cara lavada, sem nem ao menos mostrar a cara; o lugar onde eu espero que vocês se encontrem e amem assim como sempre foi.

Espero dedilhar minhas palavras aqui para que elas ecoem na alma de vocês e façam vibrar nas ondas de nossos pensamentos.

Sejam muito bem vindos à minha casa. Sejam muito bem vindos ao Dedilhando.

Aline Ribeiro.

Uma vez me disseram…

Uma vez me disseram o quanto era complicado crescer. E eu duvidei. Uma vez me disseram o quanto era complicado tomar decisões. E eu duvidei. Uma vez me disseram o quanto era complicado viver a vida adulta. E eu duvidei. Mas o tempo passou e com ele percebi o quanto cresci, a quantidade de decisões que já tomei e as milhares que ainda vêm pela frente. E descobri que ser adulta ainda vai muito além do que eu imaginava quando me disseram simplesmente que tudo era complicado.

A vida não para! A vida não pergunta exatamente se você está preparada, não vem com manual de instruções, nem sempre te ensina da forma mais amena e, na maioria das vezes, te dá a maior e melhor lição que você poderia ter. Uma vez me disseram que a vida é uma escola, onde você aprende querendo ou não, gostando ou não, estando disposto ou não. A vida é assim: ela simplesmente acontece. Uma vez me disseram que só vivemos uma vez e que temos que viver intensamente tudo o que nos acontece. Uma vez me disseram que nosso futuro depende do nosso presente e que o nosso passado, além de não poder ser apagado, revela muito do que somos hoje. Uma vez me disseram que, de todas as coisas que eu quisesse na vida, ser feliz deveria ser sempre a primeira da lista e o foco de toda a minha luta. E nisso tudo aí eu sempre acreditei.

ser_felizTambém me disseram que muitas vezes eu passaria por algumas turbulências que me tirariam do eixo da felicidade, que me fariam duvidar de muitas coisas e pessoas, mas que estava nas minhas mãos voltar para o caminho traçado e para a vida que eu queria ter. Uma vez me disseram que toda vez que eu esquecesse das coisas ditas, que eu fechasse os olhos e tudo seria dito novamente, pelo meu inconsciente e pelo meu coração.

E diante de tantas coisas ditas durante a vida, duvidando ou acreditando nelas, tenho procurado andar de olhos fechados… para que tudo o que um dia me disseram, continue ecoando dentro de mim. Afinal de contas, mesmo com todas as complicações, eu preciso ser feliz!

Aline Ribeiro.

Dedilhando

buzios

Vou dedilhando a vida e fazendo vibrar o meu pensamento. Tento mover as emoções como ondas para indicar o caminho do bem. E assim sigo minha estrada, rumo ao desconhecido e incerto. Desviando das barreiras e pulando os obstáculos, pretendo sempre chegar ao além.

dias e noites em claro
escrevo aqui um pedaço de mim
defino a vida em palavras
invento histórias assim
levo comigo a verdade que
hoje e sempre estarão
armazenadas em minha alma e
num cantinho do meu coração
dias e noites em claro, fazendo sempre valer
o dom que me ajuda a seguir: pensar e escrever!

Aline Ribeiro.