Você só pede ou também agradece?

agradecer

Você é desses que ao mínimo apuro se pega pedindo ajuda a Deus? Que vai à missa, ao culto, ao terreiro, ao centro ou ao altar de casa? Que é devoto de tudo que é força espiritual? Que chora sozinho e pede forças ao “invisível” para suportar? Que reza pelos que já se foram e pelos que aqui ficaram?

Eu sou! Sou muito dessas! E acho que devemos ser assim mesmo! Rezar nunca é demais. Pedir ajuda é necessário. Ter alguma fé é imprescindível. É o que nos sustenta, o que nos alimenta a alma, o que nos revigora todos os dias. É saber que não estamos sozinhos e que temos a quem recorrer em todos os momentos.

A pergunta é: você só pede ou também agradece?

Pare por 10 segundos e lembre o último momento em que pediu uma ajuda espiritual.

Pare por mais 10 segundos e lembre o último momento em que agradeceu (de verdade! de coração!) por alguma ajuda espiritual que tenha recebido.

Os primeiros 10 segundos são mais do que suficientes, né? Já os outros 10 nos parecem pouco! Temos essa péssima mania de só pedir e de nunca agradecer! Em tudo! Com todos! Quantas vezes você pede algo a um atendente numa loja ou ao seu parceiro no trabalho ou aos seus pais ou aos seus irmãos e nunca agradece em troca? Quantas vezes? As pessoas não sabem o que é agradecer! E se é da natureza (ou educação) humana não agradecer quando estamos vendo a pessoa, imagina com algo que não podemos ver!!!

Nesse caso, não sou dessas! Não sejam desses também! Agradeçam! Por gratidão! Se não for por gratidão, agradeçam por educação! Estejamos sempre alertas e dispostos a não somente pedir, mas também a agradecer por tudo o que nos acontece! Sejam boas ou ruins as coisas. Agradecer a tudo e a todos é fundamental. As coisas boas são sempre bem vindas e as ruins, mesmo que seja difícil entender no momento, nos trazem a oportunidade de aprendizado. E por aprendizado, devemos sempre ser gratos.

Agradeço a Deus todas as coisas que consegui em minha vida, agradeço por meus amigos, pela minha família, pela minha saúde e por ser a pessoa que eu sou. Agradeço, também, por ter me dado o gosto pela escrita e por ter sempre um espaço onde, com minhas palavras, já pude ajudar muita gente e já fui ajudada por muitas outras. Obrigada, Senhor, por essa benção!

Aline Ribeiro.

O que é o carnaval?

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Eu queria escrever várias coisas sobre o carnaval. Na verdade, eu escrevi alguns textos sobre o assunto. Mas a verdade é que qualquer coisa que eu escreva, sempre vai gerar muita polêmica e opiniões diversas. Então, para evitar o “disse me disse”, optei por não publicar nada. Mas confesso que essa festa tem muito o que se falar!!! E opiniões controvérsias é o que mais se escuta!

Por isso, em não publicando o que eu realmente queria dizer, me limito a comentar o seguinte: gostaria muito de entender o motivo das pessoas acharem que o carnaval é o momento onde podem tudo. Não sei exatamente o que se passa na cabeça das pessoas, mas parece que elas se sentem livres de qualquer pudor e simplesmente resolvem se expor de forma totalmente desnecessária e falar coisas totalmente sem a mínima noção do ridículo.

É, literalmente, um carnaval de coisas bizarras, pessoas loucas e atitudes não condizentes. Se divertir é uma coisa, passar dos limites é algo totalmente diferente! E limite é uma palava que simplesmente não existe no vocabulário de muitos que resolvem “brincar o carnaval”!

Eu só gostaria de entender o motivo. Só isso! Já explicaria muita coisa…

Aline Ribeiro.

Nossas vontades

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Às vezes a gente se sente assim: nem lá nem cá, meio assim assado, meio sem saber de nada. Uma vontade louca de não sei o que. Um dia para fazer qualquer coisa. Uma vida para dizer que valeu a pena! Abrir o armário e jogar a mala aberta na cama, sem muito critério enchê-la de roupas e sair pela porta para não sei onde e não sei com quem! Quem nunca quis surtar dessa maneira? Ou seria: quem nunca quis viver dessa maneira? Ou seria: viver surtada? Nessa loucura sem rumo, com rumo à felicidade acompanhada?

Acompanhada de sonhos, acompanhada de ideias, com rascunhos mentais e lembretes sem regras. Uma vida sem medos, sem vergonhas e com liberdade. Viver por viver, sorrir sem motivo e se preocupar somente com o próximo destino à felicidade. Descobrir novos mundos ao redor do mundo e dentro de você! Conhecer novas pessoas, em novas culturas e sem perceber!

Decidir sem certeza, arriscar sem razão, viajar de olhos abertos e ouvir única e exclusivamente o seu coração. Descobrir que é capaz de coisas nunca imagináveis, descobrir que não é tão forte quanto pensava, se importar sem se importar demais e seguir a vida nessa imensidão de aprendizados que só nos damos conta quando enfiamos a cara… a cabeça, os braços, as pernas, o corpo, a mente, o coração… Largar tudo, sem largar. Deixar tudo sem deixar. Ir embora sem partir. A gente é assim, essa mistura sem fim entre saber o que quer e não saber, querer e não querer, arriscar sem arriscar e sonhar sem nunca tentar!

Aline Ribeiro.

O que é ser amigo de verdade?

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Amizade é igual essa plantinha que você tem aí na sua casa: você não precisa estar perto dela o tempo todo, você não precisa conversar com ela o tempo todo, você não precisa contemplá-la o tempo todo. Agora, experimenta parar de regá-la o tempo todo. Sabe o que acontece? Ela morre! Amigos de verdade não precisam se ver de verdade, mas como em qualquer relação que envolva o amor, é preciso demonstrar isso. Amizade não é uma via de mão única. Não necessita de provas para saber que existe, mas de cumplicidade suficiente para saber que deve continuar a existir.

Dizem que a gente não encontra um amigo, a gente o reconhece, pois amigo que é amigo já está no nosso destino há muito tempo, só estava esperando a hora certa de se apresentar. Amigo de verdade é aquele com quem você literalmente pode contar na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias da sua vida. Sim, tipo um casamento – e muitas vezes até mais sério e mais sagrado que isso!

Amigos de verdade não precisam de palavras para se entenderem. Amigo que é amigo consegue ler pensamentos, consegue entender seus gestos, sabe o que significa cada sorriso e cada lágrima, compreende seus momentos de solidão e faz questão de estar junto nos momentos de multidão!

Amigos de verdade não têm pudor um com o outro, não são cheios de melindres e “não me toque”. Amigo mesmo dá liberdade! Amigo que é amigo entende seu momento de raiva e compartilha da raiva com você! E depois te mostra que talvez não precisasse daquilo tudo! Amigo toma suas dores. Amigo sente a alegria e a tristeza na mesma proporção. Amigo que é amigo se sente grávido contigo, se sente pai contigo, sente as angústias de mãe contigo, se sente feliz com a casa nova, te ajuda na mudança, faz sua faxina e pinta sua parede, se motiva junto com um novo emprego, se apaixona junto e também fica triste com um pé na bunda, com raiva nos momentos de injustiça ou chora junto em solidariedade ao que você está sentindo. Ombro amigo é o melhor lugar do mundo! Você pode ser quem você quiser, sem medo de críticas. Amigos de verdade criticam, mas sem te ofender. A única consequência da crítica é te ajudar a crescer.

Amigos não precisam de motivo para se verem. Datas comemorativas são só um pretexto para se encontrarem e não o único momento ou a obrigação para estarem juntos. Amigos de verdade não fazem nada por obrigação, fazem por amor e por vontade de fazerem. Amigos não precisam de convite, não precisam de hora marcada, não precisam de formalidade. Amigos chegam, aparecem do nada e a melhor parte é que a gente sempre gosta disso, mesmo que a casa esteja toda bagunçada! Amigo de verdade liga! Simplesmente liga! Liga a qualquer hora e para falar qualquer coisa! Amigos que são amigos mesmo, procuram. Amigos que são amigos mesmo, cuidam. Amigos que são amigos mesmo, se preocupam. Correm atrás, saem à procura, se despencam de distâncias enormes “só” para um abraço. Amigos que são amigos mesmo, demonstram que são amigos mesmo, até mesmo no silêncio!

Amigos de verdade não se afastam porque estão namorando, porque casaram, porque se mudaram ou qualquer outro por quê! Amigo que é amigo complementa a amizade com esses motivos, soma à amizade mais esses acontecimentos, compartilha a felicidade com você! Amigos de verdade não se afastam, seja pelo motivo que for! Simplesmente não se afastam!

Muitas pessoas têm muitos amigos, mas amigos de verdade… Ahhhhhh, eu imagino que deva ser muito pouco!!! Então, se depois de ler isso tudo você chegar à conclusão de que tem amigos de verdade e, o mais importante, de que você é um amigo de verdade… Parabéns! Você é rico e talvez nem saiba disso!

Aline Ribeiro.

Tem dias que…

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Tem dias que o que a gente mais queria era ter um buraco para se enfiar. Um buraco escondido, escuro e silencioso, onde a gente tivesse a certeza de estar protegido de tudo e de todos. Onde ninguém no mundo pudesse nos achar. Onde nossa única companhia seria os nossos pensamentos.

Tem dias que a gente acorda com vontade de continuar dormindo. Que a gente levanta com vontade de continuar deitado. Que a gente caminha com vontade de estar paralisado. São dias difíceis, onde a gente faz tudo o que não queria estar fazendo, fala tudo que não queria estar falando e vive tudo o que a gente não queria estar vivendo.

Tem dias que a vontade de gritar é tanta que a sensação é que se a gente não gritar, vamos explodir de dentro pra fora. Sensação de que se a gente não gritar, ninguém vai nos enxergar e perceber que está ficando insuportável. Sensação de que tem muita energia e angústia que precisam ser expressadas mas que a gente não sabe o que e nem como fazer!

Tem dias que a gente só queria que não fossem dias e sim noites. Porque a gente já abre o olho com vontade de que o dia acabe logo! É a vontade de que tudo passe num instante e que chegue logo o dia seguinte, na esperança de que o dia seguinte seja melhor. É a vontade de voltar a ter esperança de que realmente vai existir o tal do dia melhor.

Tem dias que poderiam não existir, mas eles existem! E o maior desafio da vida é descobrir o por quê deles existirem de forma tão torta aos nossos olhos. O por quê deles parecerem tão cinzas e nebulosos. O por quê de estarmos tão vulneráveis a não querer que eles existam de verdade e tentarmos bular a ordem natural das coisas que é viver.

Tem dias que tudo parece pergunta. E todas as perguntas não possuem respostas. E quando possuem respostas, não atendem ao que queremos. E quando atendem ao que queremos, não queremos mais aquilo. Tem dias que a vida está de pernas pro ar, numa bagunça sem fim, sem vontade de se arrumar. Mas pode apostar que são nesses dias, nos mais bagunçados, nos mais desengonçados, que a gente descobre que foi onde a gente mais aprendeu sobre como passar os dias quando eles mesmos não querem passar.

Aline Ribeiro.

Por que falar é tão difícil?

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Vocês já tentaram falar o que está engasgado na garganta de vocês e simplesmente não sai nada? Você sente que conversar poderia te aliviar, milhares de coisas rodeiam sua mente, você ensaia como falar milhares de vezes, mas a verdade é que aquilo fica ali preso na sua mente, angustiando o seu coração e somente o seu “eu interior” fica sabendo… porque a única pessoa com quem você consegue conversar de verdade é com você mesmo!

Já tentaram abrir o coração para alguém? Falar dos seus sentimentos, dos seus medos, das suas vontades, das suas alegrias, das suas derrotas? Nossa! Como isso é difícil! Como é difícil deixar que alguém saiba o que se passa dentro de nós, o que nós desejamos ou deixamos de desejar, o que gostamos ou deixamos de gostar.

Muitas vezes deixamos passar oportunidades preciosas pelo fato de não conseguirmos expor nossas vontades, nossas ideias, nossos sentimentos. Não falamos, não conversamos, não nos abrimos. Não permitimos que outras pessoas tentem nos ajudar. Não nos permitimos tentar, pelo simples medo de errar. Pelo medo de se expor. Pelo medo do julgamento, do sigilo, da desconfiança. Pelo medo!

O medo! Sempre ele! Sempre nos paralisando e nos prendendo a algo que não nos faz bem. O medo algumas vezes nos torna pessoas mais cautelosas, mais pensativas e, talvez, mais prudentes. Entretanto, na maioria das vezes, sua passagem é maléfica, pois nos tira a coragem, nos impede de andar, trava a nossa vida e nos faz perder momentos que podem não mais voltar.

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Falar é muito importante! É importante que a gente consiga se expressar, que a gente consiga conversar, que as pessoas à nossa volta entendam o que está se passando para que as coisas possam melhorar. Mas só quem tem esse bloqueio vai me entender: saber disso tudo não muda em nada o medo de falar! Angustia ter tudo dentro da gente, mas, muitas vezes, angustia muito mais o fato de saber que mais alguém vai ter acesso àquele pensamento ou outro, àquela vontade ou outra. Angustia não ter com quem conversar, mas angustia muito mais pensar no que vão pensar se você contar tal coisa, se você desabafar tal história ou se você confidenciar tal segredo.

Falar é muito importante! Mas e o medo de falar e estragar alguma coisa? E o medo de falar e alguém te julgar? E o medo de falar e aquilo “sair dali”? E o medo? O que fazer com ele? Onde colocar esse maldito que insiste em povoar nosso ser? Que vez ou outra nos consome, nos corrói, nos controla?

“Mas você não pode deixar que esse medo te domine!” – dizem.

E eu concordo plenamente! Em número, gênero e grau! Não podemos! Não devemos! E não vamos! Somos fortes o suficiente para lidar com isso… Até que algo aconteça, que você fique angustiada, que você não veja saída. Que você converse com seus “botões” dia e noite, que ensaie milhões de formas de falar e que na hora H não saia uma palavra da sua boca e a única coisa que você consiga fazer é chorar!

É complicadíssimo! Muito mais complicado do que qualquer um possa imaginar! Falar por falar é uma coisa fácil: só abrir a boca e deixar as palavras saírem! Até você se dar conta de que suas palavras fazem eco, têm peso, podem causar confusão, gerar consequências… e é aí que começa o ciclo do medo de falar. Da trava interna que não deixa as palavras saírem, mesmo que sua boca esteja escancarada. É quando você entende que falar requer, antes de tudo, pensar no que se vai emitir. E quando a gente começa a pensar demais… o falar se torna de menos. Até que tudo se esgota, se esvai e não sobra uma palavra a ser falada.

Não parece mas, muitas vezes, falar requer uma coragem sobrenatural. Requer um esforço sobre humano. Requer sensatez e equilíbrio. Saber se colocar, saber como falar, como não machucar a si e ao próximo. Falar tem se tornado, na minha vida, uma das atividades mais difíceis e que mais requer do meu emocional. A minha sorte é que eu tenho perto de mim pessoas muito boas que me dão segurança para falar a coisa certa, na hora certa ou simplesmente não falar, se essa for a minha vontade. A minha sorte é que eu posso contar com a minha fé que me ajuda a me entender e me dá forças espirituais para continuar e para ter um resquício de lucidez que me faz enxergar quando realmente vale a pena falar! E eu falo! E eu converso. E eu choro! Porque chorar é a forma da minha alma falar… e quando eu não consigo falar por mim, eu deixo que ela se expresse assim…

Para uns isso tudo vai parecer loucura e para outros vai soar como uma identificação.

Para vocês que acharam loucura, eu só peço que tenham empatia! Só isso! Se coloquem no lugar e tentem entender que as pessoas são diferentes e o que é fácil para você, pode não ser para o outro! E ajudem! Se não é você quem está sentindo, não tente adivinhar o que se passa e não tente julgar… só tente ajudar!

E para vocês que se identificaram, eu dou o meu braço e o meu abraço. Eu sei o que vocês sentem e sei o quanto isso é horrível e angustiante. Procurar ajuda nos parece a coisa mais sensata a se fazer, entretanto a mais difícil de executar. E aqui eu compartilho uma lição de extrema importância: por mais doloroso que seja internamente, se sobrar um mínimo resquício de lucidez que te faça enxergar que vale a pena falar, FALE! Se esprema, mas fale! Arranque de dentro de você! Falar realmente é muito importante! Muito do que vivemos hoje seria evitado se as pessoas se comunicassem melhor, se as pessoas não tivessem medo de falar e se as que não têm medo, parassem para pensar um pouco mais antes de falar. Falem! Mesmo com medo, falem! Vale muito mais a pena tentar do que não tentar! Arriscar do que não arriscar! Não deixem passar oportunidades por medo de falar o que sentem, não percam quem vocês amam por medo de falar o que sentem, não afastem as pessoas que vocês gostam por medo de falar o que sentem, não deixem a vida passar por medo de falar o que sentem. Eu sei que é difícil, mas a vida merece ouvir o nosso lado da história! E depois de tudo, chorem… chorem bastante! Deixem a alma se expressar um pouquinho e lavar o que já não nos serve mais…

Aline Ribeiro.

Assim como nos contos de fadas!

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Quando jovens, tínhamos a tendência de ser sonhadores, acreditar em príncipes e princesas encantadas. Amávamos filmes de romance, chorávamos com histórias de amor, torcíamos pela mocinha e pelo mocinho. Enfim, éramos românticos. Acreditávamos, de alguma forma, em contos de fadas. Com aquela pitada de “sou realista”, mas acreditando sempre que a história de princesa poderia realmente ser possível.

E com o passar do tempo, a gente foi aprendendo tanta coisa que acredito que o tempo poderia facilmente ser chamado de professor. Professor na escola da vida. E a gente foi aprendendo com as coisas boas e com as ruins também. E embora algumas pessoas ainda insistam em não querer aprender, o tempo ensina. Ensina que o mundo não é assim tão cor-de-rosa quanto imaginávamos, que o conto de fadas nem sempre é de fadas, que os príncipes nem sempre são príncipes, que o tal cavalo branco não existe de verdade e que beijar sapos vai fazer mais parte da nossa vida quanto a gente gostaria.

Mas e daí? E se a gente descobrir que gosta mesmo é do sapo? Que o mundo cor-de-rosa nem nos atrai tanto assim e que algo mais colorido ou mais clean fala melhor com o nosso interior? E se ao invés do cavalo branco, a gente descobrir que gosta mesmo é do jegue e que, mesmo que o bichinho venha muito devagar, é ele que estamos esperando mesmo, trazendo quem ele quiser e achar melhor pra gente?

A verdade é que idealizamos muitas coisas quando somos jovens e jogamos a expectativa lá em cima. E quando crescemos, descobrimos que a coisa anda bem diferente, num ritmo bem mais intenso ou às vezes bem mais lento. E a vida começa a “jogar” em cima da gente muita responsabilidade e culpa por termos idealizado tanto, sonhado tanto, querido tanto…

Mas e daí? Podemos continuar querendo! De outra forma, mas podemos! Podemos tudo! Porque é a NOSSA VIDA! E nela, quem manda somos nós! Podemos amar em qualquer idade, de qualquer jeito, com ou sem príncipes e princesas. Manter isso vivo é manter um resquício daquele jovem sonhador lá do início do texto, que nunca deixou de morar dentro de nós. E quer saber? Esse é o melhor resquício que podemos guardar de nós mesmos! Sejamos românticos, mantenhamos nossos sonhos e acreditemos no final feliz! A maturidade vem para nos fazer entender que a inteligência é o maior dos charmes, que o querer bem e o tratar bem ao outro é o tal do romantismo à moda antiga, e que o final feliz é aquilo que te faz tão bem que mais ninguém consegue entender o que só você consegue sentir.

Só conseguimos encontrar o par perfeito quando entendemos que perfeito tem um outro significado. A pessoa perfeita tem que simplesmente – e só isso mesmo – nos fazer feliz! Perfeito é saber que temos alguém para contar! E que essa pessoa ainda nos causa calafrios, acelera nosso coração e nos deixa de sorriso frouxo só por ouvir uma canção. Um amor pra vida toda não vem prontinho, ele é moldado todos os dias e o que o sustenta é o sentimento mútuo de que aquela tal perfeição é sinônimo de dedicação e admiração.

E lá no fundo, no fundo mesmo, naquele fundo que só a gente consegue alcançar, ainda guardamos a esperança do amor pra vida toda. O tempo passa, algumas vezes o coração congela, a gente se basta e aprende a ser a nossa melhor companhia. E aí, de repente, o coração volta a bater mais forte, volta a dar sinal de vida e entendemos que isso faz parte do nosso aprendizado. Continuamos com a tal da pitada “sou realista”, mas descobrimos, enfim, que o tal do príncipe ou da princesa existe mesmo e aqui , no mundo real, eles são ainda melhores. Sabe por quê? Aqui eles nos fazem feliz de verdade! E quer melhor “final de filme” do que esse? Que possamos ser os protagonistas – felizes – da nossa história de vida!

Aline Ribeiro.