O que é ser amigo de verdade?

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Amizade é igual essa plantinha que você tem aí na sua casa: você não precisa estar perto dela o tempo todo, você não precisa conversar com ela o tempo todo, você não precisa contemplá-la o tempo todo. Agora, experimenta parar de regá-la o tempo todo. Sabe o que acontece? Ela morre! Amigos de verdade não precisam se ver de verdade, mas como em qualquer relação que envolva o amor, é preciso demonstrar isso. Amizade não é uma via de mão única. Não necessita de provas para saber que existe, mas de cumplicidade suficiente para saber que deve continuar a existir.

Dizem que a gente não encontra um amigo, a gente o reconhece, pois amigo que é amigo já está no nosso destino há muito tempo, só estava esperando a hora certa de se apresentar. Amigo de verdade é aquele com quem você literalmente pode contar na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias da sua vida. Sim, tipo um casamento – e muitas vezes até mais sério e mais sagrado que isso!

Amigos de verdade não precisam de palavras para se entenderem. Amigo que é amigo consegue ler pensamentos, consegue entender seus gestos, sabe o que significa cada sorriso e cada lágrima, compreende seus momentos de solidão e faz questão de estar junto nos momentos de multidão!

Amigos de verdade não têm pudor um com o outro, não são cheios de melindres e “não me toque”. Amigo mesmo dá liberdade! Amigo que é amigo entende seu momento de raiva e compartilha da raiva com você! E depois te mostra que talvez não precisasse daquilo tudo! Amigo toma suas dores. Amigo sente a alegria e a tristeza na mesma proporção. Amigo que é amigo se sente grávido contigo, se sente pai contigo, sente as angústias de mãe contigo, se sente feliz com a casa nova, te ajuda na mudança, faz sua faxina e pinta sua parede, se motiva junto com um novo emprego, se apaixona junto e também fica triste com um pé na bunda, com raiva nos momentos de injustiça ou chora junto em solidariedade ao que você está sentindo. Ombro amigo é o melhor lugar do mundo! Você pode ser quem você quiser, sem medo de críticas. Amigos de verdade criticam, mas sem te ofender. A única consequência da crítica é te ajudar a crescer.

Amigos não precisam de motivo para se verem. Datas comemorativas são só um pretexto para se encontrarem e não o único momento ou a obrigação para estarem juntos. Amigos de verdade não fazem nada por obrigação, fazem por amor e por vontade de fazerem. Amigos não precisam de convite, não precisam de hora marcada, não precisam de formalidade. Amigos chegam, aparecem do nada e a melhor parte é que a gente sempre gosta disso, mesmo que a casa esteja toda bagunçada! Amigo de verdade liga! Simplesmente liga! Liga a qualquer hora e para falar qualquer coisa! Amigos que são amigos mesmo, procuram. Amigos que são amigos mesmo, cuidam. Amigos que são amigos mesmo, se preocupam. Correm atrás, saem à procura, se despencam de distâncias enormes “só” para um abraço. Amigos que são amigos mesmo, demonstram que são amigos mesmo, até mesmo no silêncio!

Amigos de verdade não se afastam porque estão namorando, porque casaram, porque se mudaram ou qualquer outro por quê! Amigo que é amigo complementa a amizade com esses motivos, soma à amizade mais esses acontecimentos, compartilha a felicidade com você! Amigos de verdade não se afastam, seja pelo motivo que for! Simplesmente não se afastam!

Muitas pessoas têm muitos amigos, mas amigos de verdade… Ahhhhhh, eu imagino que deva ser muito pouco!!! Então, se depois de ler isso tudo você chegar à conclusão de que tem amigos de verdade e, o mais importante, de que você é um amigo de verdade… Parabéns! Você é rico e talvez nem saiba disso!

Aline Ribeiro.

Por que falar é tão difícil?

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Vocês já tentaram falar o que está engasgado na garganta de vocês e simplesmente não sai nada? Você sente que conversar poderia te aliviar, milhares de coisas rodeiam sua mente, você ensaia como falar milhares de vezes, mas a verdade é que aquilo fica ali preso na sua mente, angustiando o seu coração e somente o seu “eu interior” fica sabendo… porque a única pessoa com quem você consegue conversar de verdade é com você mesmo!

Já tentaram abrir o coração para alguém? Falar dos seus sentimentos, dos seus medos, das suas vontades, das suas alegrias, das suas derrotas? Nossa! Como isso é difícil! Como é difícil deixar que alguém saiba o que se passa dentro de nós, o que nós desejamos ou deixamos de desejar, o que gostamos ou deixamos de gostar.

Muitas vezes deixamos passar oportunidades preciosas pelo fato de não conseguirmos expor nossas vontades, nossas ideias, nossos sentimentos. Não falamos, não conversamos, não nos abrimos. Não permitimos que outras pessoas tentem nos ajudar. Não nos permitimos tentar, pelo simples medo de errar. Pelo medo de se expor. Pelo medo do julgamento, do sigilo, da desconfiança. Pelo medo!

O medo! Sempre ele! Sempre nos paralisando e nos prendendo a algo que não nos faz bem. O medo algumas vezes nos torna pessoas mais cautelosas, mais pensativas e, talvez, mais prudentes. Entretanto, na maioria das vezes, sua passagem é maléfica, pois nos tira a coragem, nos impede de andar, trava a nossa vida e nos faz perder momentos que podem não mais voltar.

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Falar é muito importante! É importante que a gente consiga se expressar, que a gente consiga conversar, que as pessoas à nossa volta entendam o que está se passando para que as coisas possam melhorar. Mas só quem tem esse bloqueio vai me entender: saber disso tudo não muda em nada o medo de falar! Angustia ter tudo dentro da gente, mas, muitas vezes, angustia muito mais o fato de saber que mais alguém vai ter acesso àquele pensamento ou outro, àquela vontade ou outra. Angustia não ter com quem conversar, mas angustia muito mais pensar no que vão pensar se você contar tal coisa, se você desabafar tal história ou se você confidenciar tal segredo.

Falar é muito importante! Mas e o medo de falar e estragar alguma coisa? E o medo de falar e alguém te julgar? E o medo de falar e aquilo “sair dali”? E o medo? O que fazer com ele? Onde colocar esse maldito que insiste em povoar nosso ser? Que vez ou outra nos consome, nos corrói, nos controla?

“Mas você não pode deixar que esse medo te domine!” – dizem.

E eu concordo plenamente! Em número, gênero e grau! Não podemos! Não devemos! E não vamos! Somos fortes o suficiente para lidar com isso… Até que algo aconteça, que você fique angustiada, que você não veja saída. Que você converse com seus “botões” dia e noite, que ensaie milhões de formas de falar e que na hora H não saia uma palavra da sua boca e a única coisa que você consiga fazer é chorar!

É complicadíssimo! Muito mais complicado do que qualquer um possa imaginar! Falar por falar é uma coisa fácil: só abrir a boca e deixar as palavras saírem! Até você se dar conta de que suas palavras fazem eco, têm peso, podem causar confusão, gerar consequências… e é aí que começa o ciclo do medo de falar. Da trava interna que não deixa as palavras saírem, mesmo que sua boca esteja escancarada. É quando você entende que falar requer, antes de tudo, pensar no que se vai emitir. E quando a gente começa a pensar demais… o falar se torna de menos. Até que tudo se esgota, se esvai e não sobra uma palavra a ser falada.

Não parece mas, muitas vezes, falar requer uma coragem sobrenatural. Requer um esforço sobre humano. Requer sensatez e equilíbrio. Saber se colocar, saber como falar, como não machucar a si e ao próximo. Falar tem se tornado, na minha vida, uma das atividades mais difíceis e que mais requer do meu emocional. A minha sorte é que eu tenho perto de mim pessoas muito boas que me dão segurança para falar a coisa certa, na hora certa ou simplesmente não falar, se essa for a minha vontade. A minha sorte é que eu posso contar com a minha fé que me ajuda a me entender e me dá forças espirituais para continuar e para ter um resquício de lucidez que me faz enxergar quando realmente vale a pena falar! E eu falo! E eu converso. E eu choro! Porque chorar é a forma da minha alma falar… e quando eu não consigo falar por mim, eu deixo que ela se expresse assim…

Para uns isso tudo vai parecer loucura e para outros vai soar como uma identificação.

Para vocês que acharam loucura, eu só peço que tenham empatia! Só isso! Se coloquem no lugar e tentem entender que as pessoas são diferentes e o que é fácil para você, pode não ser para o outro! E ajudem! Se não é você quem está sentindo, não tente adivinhar o que se passa e não tente julgar… só tente ajudar!

E para vocês que se identificaram, eu dou o meu braço e o meu abraço. Eu sei o que vocês sentem e sei o quanto isso é horrível e angustiante. Procurar ajuda nos parece a coisa mais sensata a se fazer, entretanto a mais difícil de executar. E aqui eu compartilho uma lição de extrema importância: por mais doloroso que seja internamente, se sobrar um mínimo resquício de lucidez que te faça enxergar que vale a pena falar, FALE! Se esprema, mas fale! Arranque de dentro de você! Falar realmente é muito importante! Muito do que vivemos hoje seria evitado se as pessoas se comunicassem melhor, se as pessoas não tivessem medo de falar e se as que não têm medo, parassem para pensar um pouco mais antes de falar. Falem! Mesmo com medo, falem! Vale muito mais a pena tentar do que não tentar! Arriscar do que não arriscar! Não deixem passar oportunidades por medo de falar o que sentem, não percam quem vocês amam por medo de falar o que sentem, não afastem as pessoas que vocês gostam por medo de falar o que sentem, não deixem a vida passar por medo de falar o que sentem. Eu sei que é difícil, mas a vida merece ouvir o nosso lado da história! E depois de tudo, chorem… chorem bastante! Deixem a alma se expressar um pouquinho e lavar o que já não nos serve mais…

Aline Ribeiro.