Na dúvida, fique calado!

8e518891-dc05-4edb-a3c8-39e26776fec3Tenho 36 anos, não sou casada e nunca fui. Tenho 36 anos, não tenho filhos e nunca engravidei. Tenho 36 anos e não comprei um carro ou uma casa ou um cachorro. E, aparentemente, isso é um crime para a tradicional família brasileira!

Tenho uma profissão, gosto dela, já alcancei altos voos no ramo que escolhi, sou formada e pós graduada, sei falar bem Inglês e Espanhol, já viajei bastante e espero nunca parar. Mas… tenho 36 anos e até hoje não formei a minha “família perfeita”. E por esse motivo, para a sociedade, sou um ET vagando pela Terra!

Semana passada, passei pela seguinte situação (pela milésima vez na vida!):
“Você já tem filhos também?”
Não! Não tenho!
“Ah! Sério? Mas você não quer ter filhos?”
Vamos deixar que o tempo responda isso, né?
“Ahhh mas já tem idade pra ter, né?”
[… e continuou]

Aí eu faço a seguinte pergunta ao universo: qual o objetivo dessa conversa? Qual o objetivo dessa pessoa? Era alguém que nunca tinha me visto na vida. Que não sabe absolutamente nada da minha história. E pior, que vai continuar sem saber! Mas se acha no direito de fazer esse tipo de pergunta e, de alguma forma, se meter na vida alheia.

As pessoas deveriam se colocar mais no lugar do outro. Você sabe o motivo do outro não ter filhos com aquela idade? Sabe se a pessoa optou por não tê-los ou se a pessoa não pode tê-los por alguma questão fisiológica ou se a pessoa não os tem porque não encontrou ninguém para formar essa família ou sei lá o quê?

Por que existem tantas pessoas sem empatia no mundo? Eu até acredito que alguns não façam por mal e que essas perguntas surjam por pura falta de noção mesmo. Mas aí a pessoa questionada começa a te responder um tanto incomodada, o que você faz? Você para! Você percebe! Você não continua o diálogo para não expor ainda mais o outro!

E vou ainda mais além: você não sabe o que esse tipo de pergunta pode desencadear naquela pessoa. E se ter filhos, se casar, formar uma família, for o que aquela pessoa mais quer na vida e simplesmente não consegue? E aí? Imagina em que ferida você está tocando! Imagina que “rombo” você vai abrir! Imagina tudo o que você pode estar desenterrando e que vai fazer super mal a quem está sendo questionado! Só imagine o estrago que você pode estar fazendo! Na dúvida, não faça! Fique calado!

O mundo continuaria não sendo perfeito, mas seria muito melhor se a gente pudesse contar com o bom senso das pessoas e o “se colocar no lugar do outro”.

Tenho 36 anos, gostaria de ter me casado, mas não casei. Tenho 36 anos, gostaria de ter sido mãe, mas não fui. Tenho 36 anos, gostaria de ter casa, carro e cachorro, mas não são minhas prioridades no momento. Tenho 36 anos, mas, que eu saiba, ainda não estou morta e a vida não acaba daqui a alguns dias…

Deixem as pessoas viverem em paz! Não sejam responsáveis pela queda dos outros! Não desencadeiem depressões e similares em pessoas que só estão vivendo, independente se nas regras da família tradicional ou não!

Aline Ribeiro.

Lá nas nuvens…

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Estar nas nuvens, mesmo que dentro do avião, é como estar em paz, apesar de estar vivendo um turbilhão!

Olho pela janela e vejo uma imensidão de branco, um infinitivo de nada, um azul incomparável, misturado a uma paz que não sei de onde vem. Uma luz que aparece bem no além e uma calma que, inexplicavelmente, me transforma em alguém.

Alguém que quer tentar, que quer vencer, que tem esperança e acredita no amanhã! Que sonha alto, que não desiste, que não se abate, mas que só dentro de mim existe!

Lá na frente o piloto anuncia a chuva que nos impede de pousar. Olho pela janela e vejo o sol que insiste em brilhar! Cenários controversos, tanto quanto meus pensamentos. Vejo céu, vejo terra, vejo mar e infinito. Daqui tudo parece calmo e bonito. Meu pensamento voa e vai além do que posso controlar. Vai a lugares diferentes da realidade que me espera ao aterrissar.

E aí eu paro e penso: pensamentos criam forma!!! Pensamentos são lugares!!! Onde queremos estar? Qual forma queremos tomar? E para onde queremos ir? Só sei que de pensamentos bons, desses sim eu aceito me definir!

Crie sonhos. Alimente-os como uma criança e os faça tomar forma e crescer. Olhe pela janela e veja nuvens. E enxergue no horizonte aquela pessoa que você sempre sonhou ser!

Aline Ribeiro.

Tem dias que…

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Tem dias que o que a gente mais queria era ter um buraco para se enfiar. Um buraco escondido, escuro e silencioso, onde a gente tivesse a certeza de estar protegido de tudo e de todos. Onde ninguém no mundo pudesse nos achar. Onde nossa única companhia seria os nossos pensamentos.

Tem dias que a gente acorda com vontade de continuar dormindo. Que a gente levanta com vontade de continuar deitado. Que a gente caminha com vontade de estar paralisado. São dias difíceis, onde a gente faz tudo o que não queria estar fazendo, fala tudo que não queria estar falando e vive tudo o que a gente não queria estar vivendo.

Tem dias que a vontade de gritar é tanta que a sensação é que se a gente não gritar, vamos explodir de dentro pra fora. Sensação de que se a gente não gritar, ninguém vai nos enxergar e perceber que está ficando insuportável. Sensação de que tem muita energia e angústia que precisam ser expressadas mas que a gente não sabe o que e nem como fazer!

Tem dias que a gente só queria que não fossem dias e sim noites. Porque a gente já abre o olho com vontade de que o dia acabe logo! É a vontade de que tudo passe num instante e que chegue logo o dia seguinte, na esperança de que o dia seguinte seja melhor. É a vontade de voltar a ter esperança de que realmente vai existir o tal do dia melhor.

Tem dias que poderiam não existir, mas eles existem! E o maior desafio da vida é descobrir o por quê deles existirem de forma tão torta aos nossos olhos. O por quê deles parecerem tão cinzas e nebulosos. O por quê de estarmos tão vulneráveis a não querer que eles existam de verdade e tentarmos bular a ordem natural das coisas que é viver.

Tem dias que tudo parece pergunta. E todas as perguntas não possuem respostas. E quando possuem respostas, não atendem ao que queremos. E quando atendem ao que queremos, não queremos mais aquilo. Tem dias que a vida está de pernas pro ar, numa bagunça sem fim, sem vontade de se arrumar. Mas pode apostar que são nesses dias, nos mais bagunçados, nos mais desengonçados, que a gente descobre que foi onde a gente mais aprendeu sobre como passar os dias quando eles mesmos não querem passar.

Aline Ribeiro.