Ainda dá tempo!

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Quando eu era jovem, eu acreditava em príncipe encantado. Sem vergonha de admitir. Acreditava mesmo e ponto final. Eu era muito sonhadora. Daquelas que amavam filmes de romance, choravam com as histórias de amor e torciam pela mocinha e pelo mocinho. Eu era romântica. Eu acreditava em contos de fada. Mesmo! Eu tinha plena convicção de que, embora a vida fosse real, viver uma “real história de princesa” era totalmente possível. Sonhava em me casar linda, toda de branca, com uma linda cerimônia, com tudo que tem direito, igual princesa mesmo!

Mas o tempo passa! E a gente aprende tanta coisa com o tempo. Nosso amado professor tempo. Professor na escola da vida. A gente aprende com as coisas boas e com as coisas ruins. E, embora algumas pessoas insistam em não querer aprender, o tempo ensina. É tipo como numa escola de verdade: se você não assimilar a lição e não tirar nota boa, você fica reprovado e tem que fazer tudo de novo. E quem já ficou reprovado ou de recuperação sabe: a segunda vez é sempre mais chata, mais cansativa, mais dolorosa. E se tiver terceira, quarta, quinta, fica cada vez mais insuportável de recuperar.

Mas se recupera! O tempo sempre ensina!

E nesse tempo de muitas lições ensinadas e aprendidas, eu descobri que o mundo não era assim tão cor de rosa quanto eu imaginava. A gente aprende que rasteiras existem, que o lado cinza não é mostrado nos filmes, que as pessoas podem (e são!) bem cruéis quando querem ser e que muitos príncipes não merecem ser chamados nem de sapo!

No mundo real, as pessoas parecem falar o que querem. Parece não existir um filtro entre o cérebro e a boca: pensou, falou! E isso machuca! Isso coloca “em cheque” certezas que já temos em nossas vidas. Isso nos faz pensar se estamos certos ou errados em coisas que antes eram normalmente aceitáveis dentro de nós. Coloca-nos a pensar em situações hipotéticas, irreais, surreais.

Eu descobri que nem sempre acontecem as coisas que a gente quer e nem na hora que a gente quer. E que isso vai acontecer muito mais frequente do que a gente imagina. Que a vida muitas vezes vai ser leve e tranquila, mas é para amenizar os turbilhões que vivemos. Eu entendi que, diferente dos contos de fadas, os “vilões” não têm um esteriótipo muito fácil de decifrar. Mas que não ficam muito longe do que vimos: muitos se fazem de amigos, mas com palavras encapsuladas de maldade e facas – que vão ferir nosso coração como uma punhalada no momento crucial do filme.

Mas quer saber? Eu não me importo! Talvez eu não seja aquela Aline do passado. Mas eu não acho que passei da idade para absolutamente nada na vida, inclusive para amar. Afinal, não existe idade limite para amar! Meu limite para amar é simplesmente ilimitado! Eu ainda sou romântica, eu ainda mantenho sonhos e ainda acredito no final feliz! Só que agora com uma maturidade que me faz entender que um corpo ou rosto bonitos não são tão charmosos quanto um ar de inteligência e que o “felizes para sempre” tem mais ligação com querer bem ao outro do que efetivamente com aquela coisa do “morrer de amor sem ar”.

Ainda dá tempo de tudo. É só a gente realmente querer!

Aline Ribeiro.

Assim como nos contos de fadas!

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Quando jovens, tínhamos a tendência de ser sonhadores, acreditar em príncipes e princesas encantadas. Amávamos filmes de romance, chorávamos com histórias de amor, torcíamos pela mocinha e pelo mocinho. Enfim, éramos românticos. Acreditávamos, de alguma forma, em contos de fadas. Com aquela pitada de “sou realista”, mas acreditando sempre que a história de princesa poderia realmente ser possível.

E com o passar do tempo, a gente foi aprendendo tanta coisa que acredito que o tempo poderia facilmente ser chamado de professor. Professor na escola da vida. E a gente foi aprendendo com as coisas boas e com as ruins também. E embora algumas pessoas ainda insistam em não querer aprender, o tempo ensina. Ensina que o mundo não é assim tão cor-de-rosa quanto imaginávamos, que o conto de fadas nem sempre é de fadas, que os príncipes nem sempre são príncipes, que o tal cavalo branco não existe de verdade e que beijar sapos vai fazer mais parte da nossa vida quanto a gente gostaria.

Mas e daí? E se a gente descobrir que gosta mesmo é do sapo? Que o mundo cor-de-rosa nem nos atrai tanto assim e que algo mais colorido ou mais clean fala melhor com o nosso interior? E se ao invés do cavalo branco, a gente descobrir que gosta mesmo é do jegue e que, mesmo que o bichinho venha muito devagar, é ele que estamos esperando mesmo, trazendo quem ele quiser e achar melhor pra gente?

A verdade é que idealizamos muitas coisas quando somos jovens e jogamos a expectativa lá em cima. E quando crescemos, descobrimos que a coisa anda bem diferente, num ritmo bem mais intenso ou às vezes bem mais lento. E a vida começa a “jogar” em cima da gente muita responsabilidade e culpa por termos idealizado tanto, sonhado tanto, querido tanto…

Mas e daí? Podemos continuar querendo! De outra forma, mas podemos! Podemos tudo! Porque é a NOSSA VIDA! E nela, quem manda somos nós! Podemos amar em qualquer idade, de qualquer jeito, com ou sem príncipes e princesas. Manter isso vivo é manter um resquício daquele jovem sonhador lá do início do texto, que nunca deixou de morar dentro de nós. E quer saber? Esse é o melhor resquício que podemos guardar de nós mesmos! Sejamos românticos, mantenhamos nossos sonhos e acreditemos no final feliz! A maturidade vem para nos fazer entender que a inteligência é o maior dos charmes, que o querer bem e o tratar bem ao outro é o tal do romantismo à moda antiga, e que o final feliz é aquilo que te faz tão bem que mais ninguém consegue entender o que só você consegue sentir.

Só conseguimos encontrar o par perfeito quando entendemos que perfeito tem um outro significado. A pessoa perfeita tem que simplesmente – e só isso mesmo – nos fazer feliz! Perfeito é saber que temos alguém para contar! E que essa pessoa ainda nos causa calafrios, acelera nosso coração e nos deixa de sorriso frouxo só por ouvir uma canção. Um amor pra vida toda não vem prontinho, ele é moldado todos os dias e o que o sustenta é o sentimento mútuo de que aquela tal perfeição é sinônimo de dedicação e admiração.

E lá no fundo, no fundo mesmo, naquele fundo que só a gente consegue alcançar, ainda guardamos a esperança do amor pra vida toda. O tempo passa, algumas vezes o coração congela, a gente se basta e aprende a ser a nossa melhor companhia. E aí, de repente, o coração volta a bater mais forte, volta a dar sinal de vida e entendemos que isso faz parte do nosso aprendizado. Continuamos com a tal da pitada “sou realista”, mas descobrimos, enfim, que o tal do príncipe ou da princesa existe mesmo e aqui , no mundo real, eles são ainda melhores. Sabe por quê? Aqui eles nos fazem feliz de verdade! E quer melhor “final de filme” do que esse? Que possamos ser os protagonistas – felizes – da nossa história de vida!

Aline Ribeiro.